Os períodos de disrupção social são ricos em aprendizagens. Para um bom observador, a riqueza de comportamentos sociais destrutivos marcará este momento, até que um dos polos, pela razão democrática ou pela força, ganhe o domínio do Estado. Hobbes é testemunha da história de uma guerra civil. Tomara que este não seja o quadro atual e que as nuvens sejam dissipadas no período pós-eleitoral.
Mas a coisa ganha mais interesse a partir de Freud. Seus estudos no pós-guerra, especialmente depois da 2.º Grande Guerra Mundial, demonstram como os sintomas de uma disrupção social são apresentados. Um deles, é sobre a intensa polarização, a qual se acentua cada vez, sendo a fricção entre os polos, um quadro contínuo de aumento de tensão.
Tal tensão motiva o medo e gera o receio de que, uma vez permitida a vitória do outro polo, ele utilizará de seu domínio para perseguir e atacar aos derrotados. Nesse quadro, o medo, sem dúvida, é um fato aglutinador humano instintivo, a levar os indivíduos a acentuarem ainda mais a polarização, na defesa de seu lado.
No clímax da polarização, não há mais espaço para o diálogo, a democracia perde seu espaço e dá lugar a uma autocracia imposta pelo grupo vencedor que, para manter sua hegemonia, terá de fazer o uso da força do Estado sobre os demais, como temido pelas pessoas de ambos os lados.
O interessante a observar é isso. Quando se chega a tal estágio de pulsionamento destrutivo da sociedade, uma enantiodromia (ida de um polo ao outro) é observada, a igualar os desejos dos polos. Ou seja, independente de você estar em um polo ou no outro, as expectativas passam a ser as mesmas e o medo passar a ser o guia do discurso polarizado de todos.
Se a Política, enquanto ciência do possível de convivialidade, tem justamente essa finalidade, permitir que todos possam viver sem medo e manter-se um mínimo de civilidade e respeito aos direitos alheios, por que a negociação para tanto não pode ser retomada até que um equilíbrio possível seja recuperado?
Cada qual, em momentos de intensa polarização, deve analisar com discernimento sobre o que é real e sobre o que é fantasia. Realidade diz respeito ao que efetivamente seria uma ameaça a você e ao seu grupo, e fantasia aquilo que se supõe erroneamente ser uma ameaça.
Há que se romper a tensão do medo e se buscar caminhos a seguir. Se a Política se faz pelo atendimento do possível a todos, qual seria o possível a ser coadunado para além dos polos?
O importante, num auto-avaliação de sanidade mental, está em ver seu nível de adesão radical a uma ideia. Como diria Freud, a patologia está nos extremos. Se você está radicalizado em algo, com certeza, estará com os nervos à flor da pele e fora de seu centro de discernimento racional.
Salvo psicopatas/perversos cujo ganho com o diversionismo (dividir para conquistar) é esperado, uma pessoa comum não tem nada a ganhar quando a polarização se radicaliza e entra no "loop" de retroalimentação e todos tem a perder neste quadro.
Não existe Política sem concessões e sem respeitar o lugar do outro. Como você lida com isso, diz muito sobre você. Como você colabora para aumentar, reduzir ou atenuar a tensão e gerar pontes com possíveis saídas pacificadoras, é um dado essencial em tempos difíceis pela frente.
O que virá a seguir dependerá dessas variáveis:
a) o número de perversos desejando o caos;
b) o número de histéricos amedrontados com o possível caos;
c) o número dos obsessivos querendo impor a ordem;
d) o número de pessoas em equilíbrio, colaborando para uma saída possível;
e) o número de alienados em escapismo, deixando nas mãos dos demais a solução.
Não existe Política sem concessões e sem respeitar o lugar do outro. Como você lida com isso, diz muito sobre você. Como você colabora para aumentar, reduzir ou atenuar a tensão e gerar pontes com possíveis saídas pacificadoras, é um dado essencial em tempos difíceis pela frente.
O que virá a seguir dependerá dessas variáveis:
a) o número de perversos desejando o caos;
b) o número de histéricos amedrontados com o possível caos;
c) o número dos obsessivos querendo impor a ordem;
d) o número de pessoas em equilíbrio, colaborando para uma saída possível;
e) o número de alienados em escapismo, deixando nas mãos dos demais a solução.
