Por que devemos ser contra a
lei Rouanet? Você já pensou como é perverso o sistema criado por esta lei? Especialmente na forma como os recursos financeiros obtidos, decorrente de abatimento de impostos, acabam por atender à grande parte da classe artística privilegiada, justamente aquela que se alinha com os políticos no poder?
Este quadro acaba por perverter o espaço de desenvolvimento cultural brasileiro, criando uma servidão ideológica velada do meio artístico, que passa a depender cada vez mais dos caudalosos recursos públicos, e cada vez menos do seu mérito pelo atendimento real do interesse do público.
O que seria o melhor, em termos liberais ideais: financiar
artistas escolhidos pelos governantes ou, diminuir o número de impostos para
que cada um tenha mais dinheiro e possa escolher onde gastar em cultura?
Uma outra saída mais pragmática para o fim da lei
Rouanet seria a adoção dos "vouchers culturais". Ou seja, com a
dinheirama dada a artistas amigos do poder, pode-se dar "vales" para
que as pessoas sem condições de acesso à cultura façam a suas próprias escolhas
do que assistir, ouvir ou observar.
No contexto libertário da
cultura, com os "voucher", são as pessoas que fazem a escolha e daí, a elas os artísticas tem o dever de atender. Não o Estado e seus governantes, cujo direito de concentrar recursos em qualquer artista é algo ilegítimo e imoral.
Cultura e sua construção artística é uma forma de libertação, por meio do qual as pessoas podem refletir e analisar sobre sua realidade. Mas se a cultura é hegemonicamente dominada e controlada pelo dinheiro da lei Rouanet, onde está a liberdade e independência de criação e crítica?
Além disso, há que se fomentar a
cultura nas bases, para que novos artistas possam ser
livres, autênticos e independentes. Você, jovem com vocação artística, que vê neste caminho uma oportunidade para
sua realização de vida, como poderá progredir se o Estado, ao invés de investir
em você, prefere financiar artistas ricos e famosos que não precisam de ajuda?
Tais apontamentos são importantes para a correta inteligência do assunto. Logo, se ainda não há uma sociedade onde a população possa pagar pelo acesso à cultura que bem escolher, que ao menos possa escolher onde o dinheiro do impostos sejam gastos.
