NPC, assim entendido em Inglês como Non-player character (personagem não jogável) é um personagem de qualquer jogo eletrônico, que desenvolve atitudes automáticas e cuja ação não pode ser controlada pelo próprio jogador. Sua participação no enredo é sempre secundária e desempenha uma função fixa, contínua e não reprogramável, pois a ele não existe o livre arbítrio ou a possibilidade de alterar seu destino, naquele cenário estabelecido.
No mundo real, os NPCs seriam aquelas pessoas guiadas automaticamente por coletivismos, por pensamentos, comportamentos e emoções que não são seus, mas foram neles implantados a partir de algum tipo de doutrinação intelectual, seja na escola, na mídia ou de outras fontes de introjeção cultural. Esta ideia não é nova, ela já veio implícita na série de filmes "Matrix".
Psicanaliticamente, Jung já dizia que introjetamos o mundo que já existe, pois nascemos aptos a isso, uma vez que tal processo é inerente à construção não só da própria personalidade, mas do contínuo da civilização. Logo, não há como se escapar deste processo cultural geral. Mas isso tornaria a todos NPCs da vida real?
Não necessariamente, o que irá diferenciar, de pessoa a pessoa, não são os dados da cultura introjetada durante a vida, mas sim, a forma como irá direcionar sua manifestação existencial no transcorrer de sua vida, em face da realidade posta a cada dia.
Ou seja, como você processa as informações recebidas no dia a dia, dirá claramente se atua no modo automático, ou se, por outro lado, consegue desenvolver alguma forma de livre arbítrio e autodeterminação de pensamento, a ponto de permitir alguma autonomia decisória contra o fluxo hegemônico das informações à sua volta.
Conforme o peso das necessidades emocionais na vida de cada um, maior será o impacto da coletivização dos pensamentos. Quem necessita ser aceito para se sentir bem, tenderá a aderir em maior grau aos discursos de massa. Nesse sentido, quanto mais jovem, mais susceptível a desempenhar o papel de um NPC na vida real.
A tendência ao amadurecimento implica geralmente na superação das necessidades de acolhimento emocional, o que acaba por gerar uma certa libertação do indivíduo. Mas isso seria o suficiente para que ele não continua a viver no automático e sob a influência externa?
Apesar de uma minoria dos indivíduos ser crítica contra tudo e todos, tal nível de antipatia social nem sempre é um sinal de saúde mental. Pode, pelo contrário, indicar algum traço antissocial que, a priori, não configura transtorno mental, mas poderia sim, ser a sintomática de algo.
O melhor caminho de saúde mental para não ser um NPC em tempo integral está em desenvolver sua capacidade crítica a partir da leitura. Ler e refletir sobre a realidade, assim como observar as ocorrências do dia a dia com certo ceticismo e prudência, sempre pontuado prós e contras de tudo e todos, pode ser um bom indício de que você está positivamente a se libertar da robotização mental de um NPC.
Outro dado importante, está na avaliação de sua adesão a coletivismos, ideias coletivistas e de anulação das identidades e individualidades. Em Psicanálise, sabemos que a adesão a modelos prontos apenas trás insatisfação a ser compensada com neuroses adaptativas.
Logo, aderir a um modelo imposto e não poder contrariá-lo, gerará em você a necessidade de algum tipo de passivo-agressão, com a canalização das insatisfações contra o próprio corpo ou contra outrem, a quem será projetado a responsabilidade por seu mal estar vivido. Se você vive isto, há um alto grau de NPC em sua manifestação.
A saída, em Psicanálise, está no reencontro de seu centro, de seu espaço de auto-realização, conforme suas características personalíssimas. Há que saber de si, saber das próprias necessidades e dificuldades. Assumir seus limites e responsabilizar-se por suas escolhas. Daí poder canalizar suas energias libidinais a alguma construção suficientemente satisfatória para si.
Só quem assume assim a condução dos fatos em face da realidade, as rédeas de sua vida, deixa de ser um NPC e passa a ser um detentor do controle do próprio destino. Não é algo fácil e pode até ser temeroso num primeiro momento, mas, aos poucos, e com o apoio adequado, poderá ser o melhor ao seu crescimento e libertação existencial.
Assista agora nosso vídeo sobre o assunto, inscreva-se no canal e colabore na divulgação para que mais pessoas possam se libertar dos arquétipos que as tornam NPCs da vida cotidiana:
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