Nascidos próximos aos anos 2000, aproximadamente 10 anos para mais ou 10 anos para menos, a Geração Y, também chamada de Geração do Milênio, nasceu num mundo de grande revolução tecnológica, integrada em redes sociais virtuais e sob forte influência cultural progressista.

Desapegados do consumo de bens materiais de longa duração e focados em vivenciar experiências, é uma geração conectada à Internet, onde recebe todo o tipo de influência global de maneira quase instantânea.
São também desapegados do trabalho focado em emprego, preferindo dedicar-se em ocupações onde possam obter realização, sem necessariamente estarem vinculados a algo constante de rotineiro. Consomem experiências, ao mesmo tempo em que buscam inovações, enquanto compartilham em rede a estética de suas realizações.
Cara geração que se segue tem suas próprias características positivas. A Geração Y tem essa abertura ao mundo e a inovação, suas maiores contribuições para humanidade. A questão somente se complica para os Millennials quando se trata de lidar com a ideologia do "Politicamente Correto", perante a qual foram expostos desde criança.
Aqui se pode começar a falar na presença de um tipo de neurose característica desta geração, cujo desfecho poder resultar em sintomas de ansiedade, depressão, agressividade e até fobias.
Politicamente Correto é a intensificação social de algo que sempre existiu na educação familiar, o chamado "respeito". Desde criança, nas gerações anteriores, sempre foi comum aos pais chamarem a atenção das crianças, exigindo o respeito a outras pessoas.
A partir de certos postulados progressistas, o Politicamente Correto deixou de ser regra de etiqueta individual e passou a ser regra de conduta social, imposta a partir de demandas ora corretas, de produção de igualdade formal, ora incorretas, de imposição de censura e conflitividade.
No campo dos excessos, com sempre diria Freud, estão as neuroses. É aqui que surge a neurose millennial, pois essa geração foi exposta aos excessos do politicamente correto. Mas só adentra a este tipo de neurose aquele que se permite anular no excesso de censura.
Daí o quadro de aumento dos casos de depressão entre jovens, sem nenhuma causa fisiológica apurável. Mesmo quando não há depressão, enquanto sintomática última dessa neurose, há dados iniciais, onde se observa a apatia social ou certa melancolia com a vida, sintomas de uma indevida ou excessiva castração de suas pulsões de vida.
Pior que a depressão entre os jovens millennials, está a presença das estruturas histéricas passivo-agressivas. Elas partem de sua incapacidade de lidar com as frustrações, para ocorrências que gerem diferenças ou estejam fora de seus dicionários politicamente corretos.
Quando isso acontece e a partir de suas repressões vividas, eles canalizam tudo que era represado em sua passividade, a uma projeção agressiva ou fóbica sobre o outro, descarregando sua ira a quem não se rege pela codificação e pelo repertório que ele está submisso.
Reações histéricas, catárticas, são também uma expressão de quem está imerso nessa neurose millennial, em eventos públicos onde a necessidade de uma realização estética permita-os demonstração sua insatisfação (consigo mesmos), descarregando suas tensões e medos do diferente.
A individuação e a empatia, a quebra da prisão dos excessos do politicamente correto, as escolhas pessoais, o foco na própria realização, podem ser uma saída para a neurose millennial, quando o indivíduo deixa para trás essa prisão psíquica e passa a construir seu próprio destino. No fundo, pitadas do bom e velho amadurecimento e discernimento.