Já Existem Zumbis entre nós?

Se você levar em consideração os filmes de ficção, onde um zumbi é sempre alguém que já morreu, a resposta será negativa. Entretanto, se você observar a condição humana degradada e indigna de certas pessoas pelas ruas das grandes cidades, verá que já temos zumbis por todo o planeta. Isso seria algo evitável?
De um ponto de vista libertário, o corpo é sua propriedade e você pode fazer o que bem quiser com ele. Não há como o Estado evitar que cada indivíduo tome suas próprias opções e faça escolhas pessoais, sobre como agir, como se alimentar e como conduzir sua vida.

Do ponto de vista psicanalítico, escolhas são algo inerente à existência de um indivíduo mentalmente apto a decidir. Se ele fará uso de seu livre arbítrio para uma pulsão de vida ou pulsão de morte, cabe somente a ele tal escolha. O que existe fora isso, é a possibilidade de uma orientação, aconselhamento e terapia ao melhor ou, ao menos, para a redução de danos de suas condutas.

Hoje, tornar-se um zumbi vivo é algo possível e, uma vez se tratando de indivíduos mentalmente saudáveis, uma escolha. O processo de constituição de um zumbi exige sua degradação mental, a ponto de colocar a pessoa num nível subumano, onde sua vida passa a ser orientada somente ao atendimento das demandas básicas de sobrevivência.

Isso ocorre quando o indivíduo adoece mentalmente e acaba por optar ou ser abandonado nas ruas. Usuários de drogas pesadas, como o crack, também acabam adentrando a tal condição de zumbi vivo, pois os efeitos nocivos dessa substância destroem sua personalidade.

Vá a uma grande cidade e verifique a condições dos usuários de crack pelas ruas, durante a noite. Verá situações trágicas em termos de degradação humana. Se tais pessoas optaram por tal destruição do próprio corpo, o que fazer?

As soluções não são fáceis e requerem colocar em jogo valores essenciais do Direito. Por exemplo, a internação compulsória para tratamento, requer uma autorização judicial. Por outro lado, sem ela, somente cabe ao indivíduo querer buscar ajuda para sair daquela condição zumbi. Criar um tipo penal de vadiagem para enquadrar tais indivíduos, para além da contravenção penal, não seria a solução.

O tema não é fácil e se situa na seara da saúde pública, obrigando os Estados a fornecer condições básicas de sobrevivência a tais indivíduos que insistem em permanecer nas ruas, por exemplo, algum tipo de auxílio alimentar, roupas, saúde e abrigo. Mas isso não cria um círculo vicioso, retroalimentando a situação?

Em caso de escassez de alimentos ou alguma doença contagiosa epidêmica, como reagiriam tais pessoas, sitiadas nas ruas de grandes centros urbanos? Nessa situação, se a turba faminta e necessitada avançasse sobre as populações destes locais, como seria a reação defensiva delas? 

Talvez nesse desfecho,  como nos filmes, entenderíamos que já existem zumbis entre nós.