O mundo vive o início de uma Era Disruptiva. Os danos ambientais, o avanço das ditaduras e os conflitos nacionais/internacionais avançam em escalada planetária. Os dados estão à disposição e poucos fazem a leitura sistemática do que está em curso e o alcance do que poderá vir a seguir. Tais ocorrências estão previstas nas leis de Thanatos, bem estudadas por Freud.
As Eras Disruptivas são cíclicas na história da humanidade. Oscilam períodos de construção e de destruição em todas as civilizações. Tais ciclos são mais ou menos acentuados em termos disruptivos, com mudanças sociais e estruturais ora pacíficas, ora altamente conflitivas.
O final da Era de Paz Mundial, obtida após o final da 2.ª Grande Guerra Mundial, está cedendo lugar a uma intensificação belicista entre as potências armamentistas mundiais e seus países satélites. O descalabro na utilização dos recursos naturais, pode levar o mundo a uma futura guerra em face da escassez, doenças e todo o tipo de efeitos fisiológicos em virtude da contaminação ambiental.
Tal quadro assustador, leva-nos à necessidade de entender um pouco mais sobre as Leis de Thanatos, aquelas concepções teóricas visualizadas por Freud, na obra "Para Além do Princípio do Prazer", onde ele traça o cenário das pulsões de morte, das forças humanas capazes de nos levar à destruição.
A seguir então, veremos como funcionam as Leis de Thanatos:
1.ª Lei. Todo ciclo é pendular. Vida e Morte; Construção e Destruição; Avanço e Retrocesso são presentes em qualquer sociedade humana. Tais ocorrências são normais e estão presentes no processo evolutivo. Logo, o fato de se observar algum nível de destruição, não necessariamente é algo negativo, no amplo espectro de qualquer análise sistêmica.
2.ª Lei. Os excessos é que infligem o sofrimento. Quando o pêndulo da primeira lei é excedido em um dos polos, ele provoca as catástrofes verificadas em vários momentos da história. Todo o excesso provocação uma intensificação destrutiva e isso impacta diretamente as pessoas ali submetidas.
3.ª Lei. Em todo excesso há perversos. Excessos significam a quebra das leis do equilíbrio, sejam elas as leis naturais ou as morais. Quem tem prazer em quebrar as leis é o chamado perverso, um indivíduo cuja estruturação psicopática é amoral, logo, na sua busca ilimitada por satisfação ocorre o excesso que leva à destruição.
4.ª Lei. Perversos destroem pelo prazer do poder, dinheiro e sexo. Perversos sabem utilizar-se das emoções e da comunicação perante suas vítimas para poderem avançar sobre os limites. Sua busca é dirigida e isso permite identificá-los facilmente, apesar de ocultarem suas ações, com retórica e sofismas. Se isso não for percebido, quando mais vulneráveis ao discurso do perverso, mais será o avanço destrutivo e mais rápido ele ocorrerá.
5.ª Lei. Quanto maior a população, maior a pulsão destrutiva. Superpopulações trazem conflitos, escassez de bens e disputa social. Nesse quadro, o desconforto emocional de parte da população os leva à busca de neuroses compensatórias e crença em perversos populistas, cuja único efeito está em intensificar o processo destrutivo, uma vez que acabam por gerar mais e mais desconforto e insatisfação.
6.ª Lei. A inconsciência do desejo de destruição é a regra. Toda pessoa impingida pela pulsão de morte, não tem noção clara de sua adesão errônea a este processo. Tanto perversos quanto suas vítimas apresentam justificativas íntimas para suas ações, mesmo que desprovidas de uma senso de realidade, capaz de lhes permitir uma autocrítica moderadora de suas fantasias vivenciadas.
7.ª Lei. A Morte enquanto Prazer. A saída final pela morte é o prazer derradeiro, por vezes, uma opção inconsciente perante o caos vivido. Quando isso acontece, um ritual de purificação pessoal pela auto-destruição. Surge o prazer da vitimização, uma condição inicial para ocorra a perda de sentido da pulsão de vida, situação que restringe o indivíduo a ponto de ter prazer no amargor de saídas destrutivas.
8.ª Lei. A Vitória de Thanatos. Como qualquer doença viral ou auto-imune que destrói o seu próprio hospedeiro, a pulsão de morte cumpre uma função existencial no Cosmos, a de provocar o ciclo destrutivo. O fato de que seus excessos ampliarem e acelerarem o processo, apenas demonstra que sua presença fora desejada por grande parte da população que, em face de suas vulnerabilidades estruturais, nada fez conscientemente para evitar a destruição.
9.ª Lei. O Mal é apenas um reflexo no espelho. Toda consciência coletiva implica no reflexo do conjunto maior das pessoas viventes em determinada sociedade. Logo, será o conjunto de todos a orientar o grau de construções e de destruições a serem vividos por todos. Não cabe julgamentos morais, uma vez que quando o mal ocorre por meio de uma escolha, a destruição a ele relativa é algo desejado, mesmo que inconscientemente.
10.ª Lei. O sofrimento enquanto direito. Quem escolhe sofrer, destruir-se, seja inconsciente ou conscientemente, deve ter o direito a auferir os (des)prazeres de sua escolha. Alertas e ensinamentos são cabidos, pois toda omissão também é pulsão de destruição. Porém, quando não há saída, aos despertos perante o processo só cabe seguir por outras trilhas, para onde haja pulsões de vida, ou aderir à destruição em curso.
