No Brasil, esperar a resposta para todos os problemas humanos é um arquétipo colonial, herdado desde os tempos em que tudo dependia de Portugal. Tal herança retira dos indivíduos seu espaço de autonomia, algo essencial para sua própria afirmação existencial. Um indício claro de sua autonomia, pode ser avaliado na sua capacidade de evitação ou de resolução de conflitos, independente da ação jurisdicional do Estado.
Autonomia é algo essencial a quem busca o Direito Terapêutico. Seja porque sente não possuir a autonomia suficiente para a direção de suas relações sociais, seja porque pretende resolver alguma pendência ou conflito por outras vias que não a fornecida pelo Estado.
Como existe uma trilha mental estruturada no Inconsciente Coletivo brasileiro, no sentido de total desconhecimento de qualquer possibilidade de ação para fora da Jurisdição, o automatismo de grande parte da população, é algo esperado e que não causa nenhuma surpresa.
O lado pernicioso de tal dependência estatal é a criação de uma burocracia de algo custo, associada a uma cleptocracia governante, cuja psicopatia entende e usufrui das fraquezas e debilidades da população sem recursos e repertórios mentais suficientes para enfrentar tais agentes disruptivos.
O Direito Terapêutico, por esse ponto de vista, não é somente o espaço para a resolução dos conflitos individuais "intra partis". Ele avança no tratamento do próprio referencial inconsciente de dependência perante o Estado brasileiro e seus cleptocratas. O que se visa é o despertar de uma nova consciência, capaz de romper tais grilhões inconscientes.
Só quem entende estar preso a uma estrutura mental predisposta à sua existência, na qual sua mente foi totalmente moldada à subserviência, é capaz de romper com tal condição de prostração e, dentro de seu próprio espaço de realização pessoal, avançar a novas realizações em prol de si, primeiramente e, depois, em prol daqueles que estão na sua proximidade.
A força dos inconscientes coletivos é sobremaneira forte para evitar a possibilidade do despertar da maioria, porém, não tem como atuar sobre todos. Há aqueles que, por indisposição na introjeção do sistema estruturado, de causas multifatoriais, acabam por possuir uma crise de identidade inata e conflitiva contra ao que existe estabelecido.
Esse é a senha do chamado, da abertura para que se possa entender a existência desse conjunto estrutural a ser mudado aos poucos, dentro de um contexto terapêutico atuante dentro do próprio sistema, capaz de produzir as mudanças que já estão em curso, mas em seu devido silêncio.
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