O Dilema de Thanos e o Fim dos Direitos Humanos

Num mundo futuro e hipotético, onde a escassez de recursos naturais some-se a graus elevados de superpopulação humana, quais saídas seriam possíveis de serem adotadas pelos Estados? Seria esse um dilema típico do personagem fictício "Thanos"? Quais seriam as saídas possíveis para se resolver essa questão? Leia a seguir esta análise.
Uma das primeiras aulas de qualquer curso superior de Ciências Econômicas tratará do tema da "escassez de recursos". Ou seja, faz parte de qualquer fundamento econômico a ideia de que os recursos são limitados perante as necessidades humanas e, logo, uma variável independente chamada preço, deve ser utilizada para regular as leis da oferta e a demanda.

No cenário de Thanos, as leis básicas de mercado perdem a sua eficácia, uma vez que a oferta ficaria totalmente escassa perante uma demanda impossível de ser satisfeita, pela crise ambiental. Ou seja, independente dos preços dobrarem ou triplicarem, não seria possível uma regulação natural entre oferta e demanda, uma vez que não há mais oferta, só demanda e ainda decorrente da superpopulação.

Portanto, superpopulação e crise ambiental são temas explosivos e que podem resultar em dilemas para a sua solução. Neste cenário catastrófico, a influência mítica de Thanos, ou melhor, de "Thanatos" (pulsão de morte, para Freud), resultaria em decisões estatais contra a população, diretamente impactando e extinguindo Direitos Humanos.

Dentro de um contexto geral, a primeira saída seria a adoção de uma lei marcial, decretado o Estado de Sítio, com a redução das prerrogativas e direitos civis: toques de recolher, racionamento de recursos e limitação da circulação. Esse seria a primeiro passo, algo que já é regulado e previsto no próprio Ordenamento Jurídico de vários países.

Com o tempo e sem uma solução possível à crise de abastecimento, o Estado de Sítio tenderia a se tornar contínuo, o que levaria à ruptura da ordem democrática estabelecida e sua substituição permanente por um regime autoritário. Aqui já vemos também algo clássico, quando se trata da quebra da ordem, cujo resultado esperado é a limitação permanente dos direitos civis.

Caso isso não resolva, o passo seguinte é o do conflito, a guerra civil ou até mesmo a guerra entre nações pelos recursos. Nesse quadro disruptivo, o ajuste da escassez pode ocorrer pela perda de grande parte das vidas no conflito. Essa passaria a ser uma resposta esperada dentro de uma ótima fictícia do dilema de Thanos (Guerra Infinita). Porém, há uma questão de fundo aqui: até que ponto governantes de países não entrariam em guerra justamente para resolver os problemas de escassez x superpopulação.

Por fim, uma das hipóteses mais críticas dentro de um dilema de Thanos, seria o de se criar em laboratório uma doença capaz de provocar a morte aparentemente "natural" de grande parte das pessoas. Tal saída, aparentemente menos trágica do que a guerra, também seria uma decorrência desse dilema Thanos do final dos tempos.

Como visto, a humanidade atual joga seus dados de destruição contra o ambiente enquanto perfaz-se no aumento superpopulacional sem limites. Tais saídas derradeiras de uma final dos tempos, não podem ser desprezadas, especialmente enquanto ainda se é possível mudar o curso da história e salvar-se o Planeta de um possível caos vindouro.