O Erro Sanders: como uma milionário enganou metade da juventude americana

Como diz a célebre frase, "a economia de mercado é o pior dos modelos, depois de todos os outros". Focando-se não a parte boa, mas sim, nos seus problemas que existem e devem ser mencionados, geralmente velhos caudilhos revolucionários convencem multidões de jovens a segui-los. Mas por que isso acontece?
Prudência e temperança é algo que somente se adquire com o tempo. Estudos atuais indicam que a adolescência termina aos 25 anos, idade em que a mente atingiria um grau mínimo de maturidade existencial. Antes disso, certas áreas não tão nobres do encéfalo, como o cerebelo, teriam uma influência ainda ampliada sobre as ações humanas, o que explicaria a impulsividade e a intensidade das emoções nos adolescentes.

Com base nessas vulnerabilidade que caudilhos experientes, velhos e milionários, a exemplo de Bernie Sanders, conquistam massas de jovens, a parte do uso de discursos revolucionários fáceis de compreender e de repetir. Trata-se de uma engenharia de busca do poder que em si, é contraditória, mas que passa desapercebida pelos mais jovens. Como um milionário participante do sistema por toda a sua vida, agora na velhice pretende fazer algo diferente?

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Por exemplo, a causa de taxação dos mais ricos, da proteção do meio ambiente, de garantir o acesso ao sistema de saúde, são as bandeiras adotadas por Sanders para conquistar o apoio da juventude. Mas essas causas estariam erradas? A resposta é não. Elas são justas, válidas e precisam ser enfrentadas.

Porém, o bloqueio mental dos chamados "liberais econômicos" não os permite ver como a sociedade mudou com o tempo. Novas tecnologias e novos negócios permitem concentrar cada vez mais as riquezas nas mãos de um grupo seleto de pessoas. Diga-se de passagem, do próprio nível social de Sanders.

Tais "liberais econômicos", formados em escolas clássicas e de renome, estão engessados em suas premissas, as quais colocam a questão ambiental enquanto externalidades e as tecnologias como mero avanço digital. Não é bem assim. Recursos são escassos não só para fins de precificação. Recursos estão escassos porque estamos a chegar nos limites de apropriação humana da natureza.

Acumulação de riquezas ilimitadas também não é algo passível de se conceber, especialmente quanto observa-se a concentração cada vez maior de poder econômico na mão de poucos conglomerados, com a capacidade de influenciar na produção global de alimentos, comércio, comunicação, produtos e serviços. Aquilo que se chama atualmente de "metacapitalismo".

Outrossim, o crescimento populacional contínuo e a fantasia de ser possível produzir "um modo de vida americano" para todos os novos viventes, não passa de um caminho para o caos, onde naturalmente desigualdade e exclusão criaram e criarão massas de pessoas alheias.

A mais fácil e inconsciente busca para a solução do caos é o arquétipo do salvador, a escolha de uma caudilho populista capaz de enfrentar todos esses males. Logo, Bernie Sanders é somente mais um produto desse quadro distorcido da realidade, observado em tantos outros países.

A solução está no rompimento dessa dicotomia (direta x esquerda), como se o mundo e as ideias pudessem ser divididas, de maneira estanque, em dois grupos diferentes. Uma terceira via, onda questões ambientais, de acesso aos direitos social e de tributação do "big money" possam ser discutidas dentro de dados de realidade e não mais, a partir de dogmas ideológicos. Esse é o único antídoto possível ao populismo.