Os Impérios e seu paradoxo de Liberdade e Escravidão

Todo império, para florescer, requer paradoxalmente dois pressupostos básicos, liberdade a alguns e opressão a outros. Ou seja, não há império sem aqueles que se beneficiam dele, em contraponto aos que deverão servir e "carregar o piano" para a sua existência. Assim foi no Império Romano, assim foi no Império Inglês e assim foi e será no Império Chinês.
Quem você acha que construiu as muralhas da China? Pessoas livres, abnegadas e bem pagas? Não, foram escravos. Quem fazia o trabalho pesado no Império Romano? Os Escravos. Quem faz o trabalho pesado no Império Americano? Imigrantes ilegais que aceitam trabalhar pesado, ganhando pouco e sem direitos.

Assim é a lógica da submissão humana de uns sobre os outros. Trata-se de um arquétipo de dominação contínua, por vezes, atenuada pelos avanços dos direitos humanos, mas nunca extinta. Nesse sentido, não é de se estranhar que mesmo os modelos de utopia social, voltados a falsa missão de criar um paraíso na terra, tenha exatamente feito o mesmo com seus povos.

Se a liberdade plena é uma falácia, perante a égide de Estados cada vez mais autoritários, os limites da escravidão humana foram atualizados, encobertos por penumbras chamadas de salário. Na China, isso é claro, ao ponto de empresas, como a Foxcomm, que fabrica os "maravilhosos e caros" telefones da "Apple", ter que colocar grades em seus prédios para evitar a onda de suicídio dos funcionários. Se isso não é uma versão moderna da escravidão, o que será?

Interessante observar que até mesmo no mundo ocidental, onde a cultura instalada do Império Romano trouxe os avanços humanitários, culturais e legais do civilismo, ainda é e sempre será afeita ao paradoxo entre liberdade e escravidão.

Basta observar os países essencialmente latinos e sua necessidade de "salvadores populistas", líderes messiânicos, capazes de acalmar as massas idiotas que clamam por açoitamento. Trata-se de uma busca inconsciente pelo arquétipo do pai rigoroso. Latinos histéricos são assim, como não assumem responsabilidades, as delegam para alguém que as imponha e, ao fazer isso, aceitam a canga que lhes é imposta.

Quando não encontram dominadores à altura de suas expiações, latinos criam suas próprias cangas. Famílias numerosas que não conseguem manter, dívidas que não conseguem pagar, comportamentos neuróticos que os trazem doenças crônicas que não conseguem suportar. Daí correm lá em busca de um salvador de suas idiossincrasias ou projetam a culpa de seus infortúnios a algum responsável externo ou ainda, agem com violência desmensurada contra qualquer alvo de suas frustrações imediatas, seja em casa ou na rua.

Quando não, optam pela via da corrupção, para salvar o seu. Sejam altos funcionários públicos atrás de privilégios e regalias abusivas, por meio de pressão ao Estado, o chamado "patrimonialismo", seja por meio de políticos que usam do seu acesso aos poderes para obter o que querem. 

Lembrando que a lógica de "Jerson", de levar vantagem ou do "Macunaíma", o herói sem caráter, está impressa até nas classes populares. Mesmo sem generalização, o problema não está no conjunto, mas sim, a quantidade de indivíduos moldados nesses arquétipos destrutivos que tornam o país das bananas num sério candidato a colonia eterna dos países hegemônicos.  

Como diria Sun Tzu, "ser quer vencer, conheça a teu inimigo". Para vencer os latinos, não precisa estudar muito, basta uma hora de pesquisa no Google e já terá seus pontos falhos bem determinados.

Se você quer romper com isso., comece a fazer um trabalho interior das suas próprias idiossincrasias. Reveja sua escravidão mental e, depois, coloque-se a nadar contra a maré e contende-se se não se afogar nas águas insalubres e barrentas da fantasia "país do futuro".

Fora isso, contente-se que o país do futuro chama-se China. Ela será o seu dono, seu guia e, você, o servo, o escravo latino, novamente a viver seu arquétipo de colonia a trocar espelhos por recursos naturais, com sempre foi e sempre será, caro "sudaca".