Só existe liberdade se você entender o que te aprisiona. Sem essa consciência de sua condição existencial, não há como se tornar um agende de sua própria libertação. Muitos acham que as prisões são somente físicas. Ledo engano. Há prisões emocionais, mentais e existenciais. Em todas elas, o prisioneiro não está sozinho, ele está interligado a outras pessoas.
Há prisões que podem ser consideradas gaiolas de ouro, onde não a percepção das grades é ofuscada por seu brilho. Assim acontece onde há poder, sexo e dinheiro, os três elementos mais inter-aprisionantes existentes.
Para ser libertário você não precisa negar esses elementos. A questão é saber o quanto você ainda é escravo deles. Poder utilizado com prudência e limites, dinheiro ganho sem a ganância espoliativa dos demais, sexo realizado com consentimento e sem excessos libertinos, são medidas de como sua fruição pode ser saudável e cooperativa na humanidade.
Fora isso, você estará, por seus excessos, condenado a viver as interprisões geradas dentro da sua gaiola de ouro escolhida. Como se trata de um ato de livre-arbítrio, sua escolha por uma gaiola de ouro confortável, dentre as várias existentes, faz parte de sua missão de vida. O que não faz parte desse seu Dharma é condenar-se ainda mais à interprisão vivida, por atos de sua responsabilidade.
Por isso, o libertarianismo é uma opção individual, oposta ao coletivismo, já que ela não requer ou precisa de assunção ao grupo. Sair de um gaiola de ouro, dizer não a algo confortável, porém, ilegal, imoral ou existencialmente questionável só depende de sua decisão íntima, de começar a caminhar para abandonar aquele grupo interpreso naquela condição humana.
Há caminhos e caminhos. Não se requer a santidade dos libertários, nem a prova de sua pureza de espírito. Não há nada a provar para ninguém. Quem se liberta de algo indevido o faz por suas próprias escolhas, desforços e a partir do enfrentamento do seus dilemas kármicos vividos.
Nunca é fácil. Nunca será fácil. Por vezes, há que se permanecer na interprisão, até que, depois de todos as recomposições, doações e acertos realizados, se possa realizar sua partida libertária para outro patamar melhor e mais com maior liberdade existencial.
Portanto, nessa dialética, parta sempre da suposição de que você está numa interprisão, seja ela qual for, melhor ou pior. Se você está vivo neste planeta, estará delimitado por um DNA, um corpo fenotipicamente adaptado, um ambiente físico, um território nacional, uma situação familiar/afetiva, uma situação profissional e uma situação espiritual.
Avanços para campos de maior liberdade existencial perpassam por conquistas a serem feitas por decisões imediatas de ajuste de rumos, de maneira objetiva e conscientemente, em face de sua interprisão vivenciada atualmente. Portanto, comece agora a sair do Matrix, colocando em prática seu projeto libertário de vida.

