Armas a todos é a solução para garantir a liberdade?

Apesar do apelo popular de que somente com a população armada se é possível evitar uma ditadura socialista, tal lógica não significa, necessariamente, na literalidade, que toda a população tenha que ser armada. Há que se entender melhor o conceito libertário de pleno acesso ao direito de defesa.
Liberdade, em qualquer situação, pressupõe o livre arbítrio de agir, o qual deve ser seguido pela responsabilidade por aquilo que se decidiu fazer. Portanto, escolhas geram consequências. Logo, uma liberdade só pode existir, quando, no seu uso, o agente tenha limites, a partir das consequências de seus atos perante os demais.

Aqui entra em curso o balizador ético chamado de Princípio da Não-agressão. Por ele, delimita-se o espaço da realização da liberdade, o qual fica restrito a tudo aquilo que não faça mal a outrem. Fazer mal a si também pode ser algo questionável, porém, se o corpo é sua propriedade essencial e você está em pleno uso de suas faculdades mentais, não há como se controlar suas ações auto-infringentes.

No caso do direito de defesa pessoal, esse pressupõe uma faculdade inalienável do ser humano, previsto no artigo 3.º, da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Porém, isto não significa o acesso irrestrito às armas de fogo, assim como, ninguém pode ser obrigado a fazer ou possuir algo que não deseja para si. 

Em nenhum país do mundo, onde impera uma organização social mínima, o acesso às armas de fogo tem algum tipo de restrição, mesmo que mínima. Nos EUA, país mais armamentista do mundo, até mesmo internamente, em estados federados mais liberais, as restrições do "background check" são impostas, proibindo a aquisição de armas antes de certa idade ou na presença de antecedentes criminais ou psiquiátricos.

Avançando para o campo das individualidades, se você utiliza sua liberdade para adquirir uma arma de fogo, passa imediatamente a ser responsável por sua custódia e por todas as consequências dela perante as demais pessoas. Ou seja, ao fazer uso de sua liberdade, adquire uma responsabilidade e por ela irá responder pelas consequências deste ato.

Do ponto de vista libertário, ter uma arma, sem a necessidade havida perante uma situação de ameaça à sua integridade física, é uma forma de interprisão a tal objeto. Deve-se ter consciência disto, pois uma restrição à sua liberdade irá ocorrer a partir deste momento. Portanto, tenha consciência disto, antes de fazer a sua escolha.

Depois de feita, sua interprisão a ela exige que você tenha todas as precauções possíveis no seu uso, desde saber todos os procedimentos de segurança até ter todas os cuidados e limitações quando e se precisar se defender de alguma agressão injusta, atual e iminente.

Veja, mesmo nesses casos, o Princípio da Não-agressão exige sua postura de evitar um mal-desnecessário ou um mal-maior. Desse modo, também é sua responsabilidade agir conscientemente para evitar um excesso de legítima defesa.

Por fim, seria utópico, porém necessário, imaginar que o Libertarianismo almeja um mundo sem agressões, de tal modo que uma sociedade sem armas, um dia pudesse ser idealizada. Logo, apesar você possuir a liberdade de possuir um armamento, armar a todos não é a solução para se garantir a liberdade.

Veja agora nosso vídeo sobre o tema: