O Conceito Libertário da Matrix

No filme "Matrix" (Warner Bros, 1999), a realidade é simulada por um programa de computador ligado às mentes humanas, sendo os corpos humanos mantidos presos e em hibernação, para que suas energias corporais sejam utilizadas na manutenção de uma sociedade de máquinas inteligentes. Tal história serve de metáfora, para que se possa entender o Conceito Libertário da Matrix.
A partir do nascimento com vida, o indivíduo estará destinado a sua existência terrestre, dentro daquilo que os antigos orientais chamam de Dharma, livremente traduzido do Sânscrito como "aquilo que sustenta, se mantém", mas cujo significado indica a missão de vida.

Como a vida será balizada por três delimitadores básicos, a missão de vida será possível de ser experenciada dentro desses limites, que são material, social e metafísica. Tais dimensões foram as bases daquilo que poderemos considerar o Matrix, o sistema de realidade construído pela humanidade, no qual cada novo indivíduo deverá desenvolver-se.

Mas qual a relação disso, com o filme? Na nossa vida real, poderemos considerar enquanto Matrix todas as interprisões vividas de maneira inconsciente, seja no campo material, social ou metafísico. A temática do Inconsciente é o objeto de estudo da Psicanálise. Enquanto tal, trata-se daquilo que foge ao campo da consciência humana, apesar de estar diretamente a interferir sobre ela.

Como diria Freud, "decífra-me ou te devoro". Traduzindo: entenda a interferência do seu inconsciente na sua vida, caso queira ter algum controle sobre ela; caso contrário, contente-se em ser conduzir pelo Matrix inconsciente, que governa a maioria das existências humanas.

Sigmund Freud foi contemporâneo de Ludwig Von Mises e Friedrich Hayek. Ambos foram alunos da Universidade de Viena, berço do pensamento liberal que levou tanto ao surgimento da Psicanálise, quanto do Libertarianismo. Todos tinham a noção clara da preponderância do indivíduo, em seu papel histórico de buscar sua própria auto-determinação existencial.

Portanto, nossa hipótese da Matrix nasce de uma base psicanalítica, da noção de inconsciente, a nortear a vida humana. Esse é nosso ponto de partida teórico.
A segunda hipótese diz respeito ao processo de interprisão existente, o qual se deve aos limites materiais (corpo e ambiente), sociais (sociedade e suas regras econômicas, jurídicas, políticas e sociológicas) e metafísicas (cultura, moral e espiritualidade) impostos inconscientemente a cada indivíduo.

A terceira hipótese diz repeito à libertação das interprisões, algo que pode ser um processo conscientemente assimilável enquanto o Dharma, missão de vida. Diferentemente de um "nirvana" religioso, a meta do libertário não é a de atingir à ascendência ao paraíso em vida, mas sim, de tornar-se senhor de suas escolhas, com consciência das interprisões e da forma de lidar com elas.

A quarta hipótese é a de que toda interprisão requer sua ação direta sobre ela, no sentido de gerir sua condição de homeostase (não piorar sua situação) e, quando possível, de atuação efetiva para a sua recomposição, até que se possa libertar-se dela, para um nível melhor de possibilidades existenciais.

A quinta e última hipótese diz respeito ao seu processo kármico planetário, no sentido de demonstrar o seu dever de contribuir efetivamente para que outras pessoas também libertem-se de suas interprisões e consigam colaborar para que as inteprisões terrenas sejam reduzidas e, quiçá, um dia, extintas. Uma vez que você chegou até aqui, é seu papel também atuar nesse sentido.