Quem são os Senhores e os servos no Baratrosfera chamada Brasil?

A partir de obras como "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda, "Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire, "Os Donos do Poder", de Raimundo Faoro e "Formação do Brasil Contemporâneo, de caio Prado Jr se é possível compreender o arquétipo histórico do "patrimonialismo" e da violência simbólica das elites dominantes, que foi forjado e ainda permanece forte no Brasil.
Com base nessas leituras, é possível afirmar que, cristalizou-se em "Terra Brasilis" ou também chamado "país das bananas", uma servidão simbólica mantida até os dias atuais. Contra essa "canga" arquetípica e cultural, poucas pessoas conseguem se rebelam, uma vez que não sabem da sua existência ou, dentro os poucos que sabem, a ela se rendem, ou não tem forças para algo mudar. 

Não a chamaremos de escravidão, uma vez que você tem algumas liberdades, como a liberdade de ir embora, a liberdade de empreender e tentar elevar-se à elite dominante, ou ainda a liberdade de estudar e, adentrar ao seleto rol de altos funcionários públicos privilegiados.

Essa é a "cenoura de burro do patrimonialismo", a fantasia de qualquer um também poderá ascender ao rol da elite, bastando para tanto, que trabalhe e se dedique com afinco. É essa falsa crença que assegura a manutenção pacífica do patrimonialismo, ao iludir grande parte da população, a permanecer livremente sobre o regime de servidão, produzido diretamente pelo Estado

A falácia está no fato de que, para manter essa situação de privilégios, não há cargos ou espaços para a maioria da população. Pelo contrário, tal pirâmide de desigualdade requer que a maioria se mantenha na pobreza ou viva sob intensa desigualdade econômica, causada exatamente para sustentar os Senhores feudais do mundo contemporâneo. 

Existe aqui uma falácia de meritocracia, como se o fato de acender e pertencer às elites dominantes lhe garantiria o direito de exigir privilégios e benesses do Estado para si. Como se fossem merecedores de algo, bem acima do acessado pelos demais indivíduos, já que os demais "teriam voluntariamente decidido permanecer como tal", por sua falta de desforço ou sucesso.

A partir desse estado mental de servidão, pode-se introduzir essa fantasia enganadora nas mentes dos servos, onde poucos entendem a falta de correlação entre alta carga de impostos existentes e a quantidade/qualidade dos serviços públicos oferecidos em retorno à população. 

Não é à toa que o Judiciário brasileiro é um dos mais caros do mundo (3,5 x mais que o Judiciário alemão, por exemplo), mas presta serviços ineficientes e morosos.

Outrossim, pelo lado da elite política, leis-se chefes do Executivo federal e estadual, aliados ao Legislativo, também estadual e federal, são os responsáveis diretos por permitir esses descalabros, pois também garantem para si privilégios e benesses, além de sua covardia em enfrentar diretamente os privilégios do Judiciário.

Por seu turno, a elite empresarial, atua no sentido de manter para si monopólios e oligopólios, além de atuar no auxílio à corrupção, por meio de licitações fraudulentas, obter empréstimos e recursos com juros camaradas, bloquear a concorrência interna (por meio de legislações dificultadoras para a pequena escala) e evitar concorrência externa (por meio de regras e impostos de importação). Com isso, podem cobrar preços abusivos e manter o capitalismo de compadres.

Não vá confundir megacapitalista com microempresário, que são pessoas que também são servos do Estado e dos seus agregados, talvez uma das classes mais exploradas desse país da jabuticaba.

Agora, falaremos sobre os servos em poucas linhas. Quem são eles?

São todos os demais residentes no país das bananas, que trabalham, pagam altos impostos e preços abusivos em tudo o que consomem, a viver em constante restrição não observáveis em outros países, com o mesmo nível de riquezas produzidos. Não se esqueça o tamanho do PIB brasileiro, só existem 9 economias maiores e, nesses países, a qualidade de vida da população é bem melhor.

Libertar-se desse matrix baratrosférico não será fácil. Talvez trabalho para muitas gerações. Mas a semente está lançada. Questão final? Você faz parte dos Senhores ou dos servos? Em qualquer deles, quais alterações em seu Dharma existencial devem ser feitas imediatamente, para sair dessa interprisão?