O documentário Indústria Americana, ganhador do Oscar, é uma excelente obra para se entender como a sinergia entre EUA e China tornaram-se uma grande fábrica de escravos, ora fabricantes, ora consumidores de um modelo de vida vazio de sentido, nilista e destrutivo da humanidade.
Se o surgimento do modelo fordista de produção foi o responsável pela alienação dos trabalhadores, os quais passaram a produzir apenas partes do todo, o modelo chinês trouxe a produtividade ao nível da semi-escravidão, sugando a vida dos trabalhadores em troca de migalhas de dinheiro e a promessa de uma nação hegemônica no mundo.
Os paradoxos são claros na obra. Enquanto na China os sindicados são parte da estrutura da empresa, nos EUA houve todo um movimento para barrar a presença dos sindicatos. Essa é uma demonstração clara de que o modelo socialista não se importa com os direitos sociais das pessoas, mas sim, com resultados.
Tais resultados nada mais são do que a famosa "mais valia", hipocritamente combatida por esquerdistas no mundo ocidental, mas plenamente aceita pelos mesmos, quando compram produtos fabricados na China, com o dinheiro servindo para manter a estrutura escravocrata moderna.
Operárias chinesas que trabalham 12 horas por dia, com dois a três dias de folgas por mês, relatam que possuem filhos (para quê?), criados com os avós, sendo que somente podem visitá-los uma ou duas vezes por ano. Qual o sentido disto?
Operárias chinesas que trabalham 12 horas por dia, com dois a três dias de folgas por mês, relatam que possuem filhos (para quê?), criados com os avós, sendo que somente podem visitá-los uma ou duas vezes por ano. Qual o sentido disto?
Nesse ponto, os EUA, com seu modelo de vida consumista e materialista, colaboram diretamente para manter o modelo escravagista chinês em pleno funcionamento. Logo, são países que se retro-alimentam, são codependentes do mundo distópico que criam. EUA não podem viver sem a escravidão dos chineses.
O nilismo de todos os operários, sejam norte-americanos ou chineses é demonstrado a todo o momento. O que se busca é apenas a sobrevivência básica, a manutenção dentro de uma perspectiva de vida limitada, sem sentido, aniquiladora de qualquer esperança. Tudo cinza, assim como há de se esperar de uma interprisão proposta pelos chineses para o mundo todo.
Interessante como as análises sobre o filme apenas procuram retratar o choque de culturas, sem dizer que ambas são altamente nocivas ao meio-ambiente, ao direito dos trabalhadores e ao mundo livre. Nem uma pretensão reflexão, ao final do documentário, a qual teria pretensamente sido feita por seu dono (membro do Partido Comunista Chinês), permite ser encarada como algo sério. Sorrindo, ele passa o filme todo a demonstrar como os chineses agem.

