O Balde de Caranguejos: a metáfora das interprisões

Quem já viu o que ocorre quando se colocam caranguejos dentro de um balde, poderá entender como funciona uma interprisão. Comprimidos e presos conjuntamente naquele espaço, alguns caranguejos tentarão subir uns sobre os outros, momento em que serão puxados para baixo, pelos demais. Nesse ciclo contínuo de tentativas de subida e puxadas para baixos, todos ficarão presos permanentemente.
 A mentalidade dos caranguejos no balde é a metáfora do coletivismo, de como a individualidade é destruída quando a força do grupo impede o florescimento e a libertação individual, para fora daquela modelagem opressora do meio em que está atualmente retido.

Com o tempo de exposição a tais coletivismos, a própria pessoa desiste da sua tentativa de sair do balde, desalenta-se e passa, ou a agir em modo de robotização existencial, ou ativamente a também puxar para baixo todos os demais que desejem dali sair.

Uma vez criado esse ciclo repetitivo de reprodução, a interprisão estará cristalizada. E quando mais indivíduos forem acrescentados ao balde, mais a tensão entre eles irão ampliar o desconforto, a agitação e a agressão mútua, tornando aquele espaço uma baratrosfera (dimensão inóspita).

Só existem então, duas possibilidades de se sair dessa interprisão. Se alguém fizer a caridade de lhe retirar de lá; ou quando por cooperação, alguns caranguejos o assistirem, pois além de permitir que se suba sobre eles, também não o puxem para baixo, permitindo sua escalada à liberdade.
Entram aqui então aspectos da espiritualidade do processo ou a necessidade de que a individualidade seja feita de cooperação social, quando uma parcela dos indivíduos deixa de atuar em prol da pulsões destrutivas e passa a a agir focado em suas pulsões construtivas, cuja soma permitirá a realização de algo para o bem dos que nela participam.

Fora isso, resta aceitar os limites do balde, as restrições impostas pela superpopulação imersa no local e os efeitos psicológicos do grupo destrutivo sobre as possibilidades individuais. Quantas pessoas vivem em baldes, como caranguejos presos e aceitam sua canga? Quantas pessoas puxam outras para baixo, para satisfazer suas próprias frustrações? 

Reflita sobre isso e analise o balde que você está inserido atualmente e como deverá proceder, em colaboração, para poder libertar-se a si e aos demais, que assim deseje construtivamente pulsionar.