Não se pode dizer que o filme "O Poço" seja uma alegoria libertária. Entretanto, sua análise paradoxal entre o estado de natureza no qual são inseridos os personagens, em face da busca por sobrevivência instintiva, permite o questionamento da saída final obtida pelo ator principal.
Talvez você já tenha assistido ao filme. Muitas análises foram feitas. Vários sentidos foram obtidos pelas simbologias apresentadas. Mas aqui somente nos interessar o desfecho final do filme. Com direito à spoiler. Logo, se você ainda não o assistiu. Faça isso primeiro, para depois ler o que será dito a seguir.
Vivendo no limite máximo de sua existência, representado pela restrição alimentar severa, decorrente da dinâmica prisional do Poço, as saídas seriam limitadas. A morte por inanição, canibalismo, suicídio.
Porém, como toda interprisão, sempre haverá uma saída. Talvez não as esperadas, como as descritas acima, mas uma cujo maior desforço se faça e permita romper com todo o sistema posto. Assim ocorre e, de uma união de forças, a lógica interprisional é quebrada.
Em prol da modificar o estado das coisas, eles impõe à força uma mudança quebra do estado da natureza, gerando uma nova ordem. Ao fim de seu intento, acabam por descobrir um nova forma de romper com o sistema e mandar uma mensagem para fora, visando demonstrar a situação caótica do Poço.
Tal libertação tem seu custo individual. Todavia, isso serve para demonstrar que até mesmo em face de situações críticas, onde impera o retrocesso ao estado da natureza, há a possibilidade de se romper com o caos e se orientar uma nova ordem.
Tal saída pode não ser a esperada, mas é a possível, a exigir a coragem de se assumir o encargo existencial dessa função. Quando o preço da liberdade é caro, só quem realmente entende a sua importância pagará o preço para sua ocorrência, mesmo que não possa futuramente usufruir dela, da maneira como se espera.
