O Espírito do Tempo e o Karma das Escolhas

 O Espírito do tempo é representado pela massa de pensamentos e mentalidades expressos pela maioria da população, num determinado momento de sua história. Trata-se do Inconsciente e do Consciência coletiva somados, a formar um direcionamento das ocorrências sociais e o compasso das vivências possíveis de serem atingidas e construídas no seio de uma determinada territorialidade.

O Espírito do Tempo resulta nas decisões críticas de determinado povo. A partir de suas decisões, algumas ocorrências serão possíveis e outras não. O caminho do sucesso ou do fracasso de uma sociedade, de um projeto de visão de mundo, serão diretamente consequências do Espírito do Tempo.

Aqui vem à tona a questão do Karma das Escolhas. A responsabilidade de um povo por seu fracasso, a partir de seus decisões erradas, irá resultar diretamente nas provações e restrições perante as quais será submetido pela frente.

Assim está a ocorrer com a Venezuela, onde o Espírito do Tempo de seu povo permitiu a instalação de um Narcoestado ditatorial, a provocar uma tragédia humanitária sobre seu próprio povo, seu próprio karma, a ser colhido e experenciado. 

No caso do Chile, a aprovação de uma nova constituição representa o seu espírito do tempo, o qual diverge daquele que existia durante a ditadura de Pinochet. Nesse novo espírito do tempo, o desejo de emancipação é dominante, onde cerca dos 78% dos votantes optaram por uma nova carta magna.

Porém, emancipação não são somente direitos, há deveres. Sem deveres, qualquer emancipação cairá na libertinagem, o que resulta na quebra do equilíbrio social. O problema disso é claro: sem deveres, a disrupção e os conflitos sociais podem trazer o caos.

Com o caos, vem a demanda por nova ordem. Nessa nova ordem, sai de cena qualquer possibilidade de emancipação e entra em cena apenas a opressão e supressão dos direitos. Ou seja, esse seria um exemplo destrutivo do Espírito do Tempo.

Mas como o Espírito do Tempo é uma soma de vontades, desejos e mentalidades, uma visão libertária seria de que tal Karma, uma vez materializado, foi o que era querido inconscientemente por determinado povo, pois quem não quer deveres, também direitos não terá, essa é a tônica dos resultados.

Enquanto observadores da história, o Espírito do Tempo deve ser lido não como algo negativo, mas como algo devido, movido pelas escolhas realizadas, contra as quais nada se pode fazer, uma vez que democraticamente deve-se reconhecer o direito à própria provação.