A palavra Karma vem do Sânscrito, originada na Índia antiga, significa "ação". Seu contexto religioso e filosófico, no Hinduísmo, Budismo e, do ponto de vista mais brasileiro, a partir de uma releitura feita pelo Espiritismo, significa a "lei da causa e efeito". Lidar com tal temática nem sempre é algo fácil ou de interesse, uma vez que ela, na maior parte das vezes, exprime deveres, enquanto resultado de ações pretéritas, as quais, no plano atual, há uma chance para que sejam recuperadas.

Não é a primeira vez que escrevo sobre isso. Não é um tema fácil de lidar, até porque esse é daqueles assuntos onde vale o provérbio popular: "quem não tem pecado que atire a primeira pedra". Falar de Karma, nesse sentido, sem apontar o dedo para si, é algo impossível de realizar.
Porém, por vezes, nossa vida nos coloca face a face a ocorrências onde o Karma está exatamente na sua frente, ou alguns passos de distância, mesmo que isso signifique assistir tudo pela tela do computador. Daí surge uma responsabilidade inerente que é a própria oportunidade de recuperar o Karma devido.
No Direito, essa pode ser uma sina. E aqui há que se entender bem as coisas. Muitas pessoas acham que o Karma é materializado em padecimento. Pode até ser. Todavia, o Karma também está nas boas oportunidades da vida, nos tapetes vermelhos que lhe são estendidos no seu caminho, nas portas que se abrem, nos amigos importantes que se faz na jornada, naquilo que se obtém com alguma facilidade.
Ou seja, não há sorte na vida, há Karma positivo. Entender isso é entender o alcance maior da Karmologia. Claro que, quando olhamos um contexto maior, por exemplo, da existência de Baratrosferas no planeta Terra, locais onde umbrais se estabelecem, por meio daqueles que por lá habitam, em determinado tempo histórico, tudo fica mais amplificado.
Nesses casos, não há somente a visão do Karma individual. Há também os karmas coletivos, daquele determinado grupo temporal. Tais pessoas estão interpresas ao seu tempo, onde nele viverão experiências de júbilo ou também de sofrimento e destruição. Assim é o nosso tempo nessa Baratrosfera atual, situado num território chamado Brasil.
Essa Baratrosfera avança sobre um paraíso tropical, um local de riquezas naturais, abundância e beleza. Mas quanto não são os paraísos terrestres a encobrir esteticamente a existência de Baratrosferas? De outro modo, não seriam exatamente locais assim, os mais adequados para tais umbrais, tendo em vista um certo equilíbrio possível?
No caso brasileiro, a Baratrosfera é nitidamente orquestrada pelos "donos do poder", nos três poderes instituídos e se perfaz por meio do Direito. O que mais me espanta, é a incapacidade de quem recebeu um Karma positivo pelo Direito, tem gordos e fartos privilégios, ao invés de contribuir para esse território deixe de se uma baratrosfera, inebria-se com o prazer do poder e, ao fazer isso para mantê-lo, acentua o erro e desperdiça a oportunidade de romper com o karma e recuperar o que é devido.
Há saída? Coletivamente talvez não, pois a quantidade daqueles que se pervertem ao poder, é maior do que a daqueles que tomam as difíceis decisões de pagar o preço do destino e enfrentar seus karmas (ao menos, não ampliá-los) e contribuir ao melhor de todos.
Desse modo, sobra a você, leitor que chegou até este ponto do texto (com poder ou sem poder), fazer suas opções. Entre lutar ou fugir, quem pode, tem atenuantes ao se afastar, desistir e fugir, pois sabe que em face de tal interprisão, seria inútil uma atuação, pois a lei da causa e efeito já está estabelecida e as aprendizagens vindouras já estão estabelecidas.
Para aqueles que aqui permaneceram na Baratrosfera, há que se ter a consciência de que talvez a aprendizagem pelo sofrimento também seja um direito do grupo atual aqui presente. Há melhores escolhas para se aprender algo. Porém, quem está hoje na Baratrosfera parece ter impreterivelmente uma necessidade de aprender pelos caminhos kármicos mais dificeis.
Se você é do Direito é quer começar a mudar isso, recomendo assistir a uma série cômica antiga, bem interessante para se entender a questão da purgação das dívidas pretéritas. Talvez nela você encontre insights de como poderá iniciar sua jornada de superação e realinhamento kármico.
Para aqueles que ainda permanecem na escuridão e nas ilusões do poder, meus votos para que consigam um dia se libertar dessas fantasias, que nada mais são do que interprisões do passado, a alimentar novos erros do presente, a gerar novas interprisões futuras. Para os despertos, as bênçãos da nova oportunidade de libertação que agora se inicia.
Assista aqui a nossa preleção sobre o assunto:
