Os Exilados da Baratrosfera

 Em 1949, Edgard Armond, escreveu a obra "Os Exilados de Capela", romance espírita onde ele descreve uma explicação para a "História Espiritual da Humanidade". Na sua versão espiritual da história humana, segundo o  autor, tudo muda e se acelera há 12.000 anos, com a chegada dos bilhares de almas, exiladas do Planeta Capela e transmigradas ao Planeta Terra.

Tais consciências (ou espíritos) foram exilados no Planeta Terra pois sua conduta marginal, perversa e destrutiva, não os permitiam mais permanecer naquele ambiente evoluído de seu planeta natal, já que ali estavam somente a prejudicar todos os avanços existenciais pelos esforços construtivos dos demais. 

Julgados então, espiritualmente por seus crimes, foram expulsos e transmigrados a um planeta ainda jovem, no qual mais poderiam ajudar do que atrapalhar na sua evolução. Foi assim, segundo essa hipótese espiritual, que o planeta Terra evoluiu, contando com a ajuda dessas consciências mais avançadas, a permitir toda a tecnologia hoje existente.

Porém, nem tudo são flores nessa história. Uma parte desses seres, mesmo expulsos e conscientes de suas responsabilidades, optaram por seguir o mesmo curso destrutivo de antes. Daí a sequência interminável de guerras, sofrimento e destruição, vivenciados em todos os tempos da história humana.

Aos que purgaram suas responsabilidades e iniciaram um novo caminho de luz, surgiu a oportunidade de construir uma nova vida, com karmas positivos colhidos pelas vidas sequencialmente construídas e seus nomes estão marcados como heróis, grandes líderes e gênios da humanidade. 

Com a advento da 2.ª Grande Guerra Mundial, houve o prenúncio da necessidade de uma nova revisão espiritual da Terra. Como pode ser visto, o livro de Armond é escrito em 1949, fase posterior a esse período histórico, quando se inicia no planeta, o pós-guerra que permitiu um desforço mundial a trazer todas as conquistas e melhorias observadas até aqui.

Desse passo em diante, a obra de Armond não avança. Quem faz o contínuo dela é outro escritor, inicialmente espírita e posteriormente independente, chamado de Waldo Vieira. É dele as obras "Homo Sapiens Reurbanizatus" e Homo Sapiens Pacificus". Nelas, o autor procura demonstrar, sem se fixar somente nos postulados do romance de Armond, como o curso da história da humanidade chegou a um novo ápice evolutivo, o qual demandará um novo evento transmigrativo em breve.


Segundo a hipótese de Vieira, na 2.ª Grande Guerra Mundial, a partir da realização física e extrafísica do chamado "Tribunal de Nuremberg", as consciências mais patológicas, destrutivas, envolvidas naquele processo, foram imediatamente transmigradas, aos moldes dos "exilados de Capela", para outros planetas em início de evolução, visando encerrar seu ciclo de destruição na Terra.

Aos demais, menos culpados, porém também "consréus" (termo dado pelo autor), fora dada uma oportunidade, uma chance de recuperarem seus karmas. Para tanto, foram "migrados" de continente e alocadas em regiões fora da Europa, onde o epicentro da guerra ocorrera. Isso seria necessário para que a Europa pudesse se reconstruir e atingir a um novo nível de pacificidade e integração harmônica entre os seus povos, conforme pode ser verificado nos dias de hoje.

Grande contingente desses "migrados" teriam sido alocados no Brasil. Ou seja, todos aqueles nascidos no Brasil, a partir de 1945, podem ser tais "migrados" da 2.ª Grande Guerra Mundial. A eles, foi dada nova oportunidade existencial, de se tornarem seres pacíficos e integrados ao atual estágio evolutivo do planeta.

Desse modo, tudo o que aconteceu a partir de 1945 no Brasil, teria um sentido de ser. Assim como tudo o que está acontecendo neste instante e que virá a acontecer no futuro. Segundo o autor, a humanidade viverá o século das Baratrosferas (termo que ele criou), para designar as disrupções, guerras e conflitos sociais que infelizmente ainda serão criados por parte desses "migrados", em suas sanhas destrutivas.

Segundo o autor, o aumento das "consréus" será algo contínuo até 2100, quando então, ocorrerá novamente o início das transmigrações e a Terra entrará em outro nível existencial, de coexistência pacífica, sem a presença dessas consciências destrutivas. A exemplo de Capela, restaram no planeta Terra somente aquelas consciências afeitas à paz, à harmonia e a uma vida em equilíbrio.

Você pode concordar com tal hipótese espiritual ou não. Entretanto, mesmo que você não concorde, o cenário de deterioração social é algo claro, diferentemente do que ocorre na Europa hoje. O nascimento contínuo de cada vez mais indivíduos mentalmente enfermos, conflitivos, destrutivos, nos países periféricos, a exemplo do Brasil, é algo inegável.  

Entretanto, o que resta a saber, com sinceridade e mesmo sem esperar que você acredite ou não nessas teorias é: seria você uma dessas consciências enfermas a caminho da transmigração futura? Qual o seu papel nessa vida crítica e qual o saldo de suas ações? Como pretende lidar com toda a disrupção que acontecerá à sua volta, se essa hipótese se confirmar nos anos vindouros?