Desde o viés de baixa no mercado da criptografia, há cerca de um mês, tenho acompanhado e procurado me inteirar sobre os movimentos e sobre a lógica desse espaço da nova economia e dos negócios digitais. Fora a perspectiva libertária deste local, há também uma "aura" de inovação tecnológica povoada por "nerds" e "analistas inteligentinhos", que se afirmar por seus resultados positivos em termos ganho.
Não posso dizer que não me afinizo com tais seres. Porém, um mês depois, minha personalidade aspenger e seu hiperfoco nos detalhes lógicos começa a me fazer duvidar da coerência e da lógica dos postulados atualmente estabelecidos para esse ramo da "nova economia digital".
Incomoda bastante observar os "discursos prontos", repetidos a todo momento, sobre as maravilhas do mercado da criptografia, as suas possibilidades infinitas de ganho (será?) e uma certa "forçação de barra" para que os preços continuem subindo, a parte de certa indução às compras.
Será tão difícil perceber o velho macete dos vendedores: "olha, compre agora, porque vai subir de preço". Quem já não viu isso em outros locais da economia tradicional. Pois é, mas quando dito isso no mercado das criptografias, soa como um "mantra sagrado", o qual não pode ser questionado.
Desse modo, trocam-se as roupagens, mas a natureza da especulação e da indução ao consumo continuam as mesmas. Isso não quer dizer que essas novas tecnologias criptográficas não tem utilidade. Pelo contrário, esse deveria ser o principal foco delas e não uma corrida "de touros", para ver quem ganha mais.
Reserva de valor é algo importante, porém, de nada vale se tal criptoativo não agregar possibilidades tecnológicas úteis ao dia a dia das pessoas. Aqui voltam os "iluminados" e dizem: "isso virá futuramente, por enquanto, estamos em fase de consolidação". Será?
Aqui acabo por recordar a obra de Saramago "O Ensaio da Cegueira". Só espero, ao poder enxergar algo a mais, ter condições de colaborar nos caminhos dos cegos ou, ao menos, achar um caminho libertário individual nessa imensidão.